A NOSSA MISSÃO
Quantas maneiras há de ver uma cidade? E de haver? Como partir do horizonte do oceano, próprio dum meio insular, para a carne do vale e da rua? Falar de lugares como pessoas e ligar as pessoas ao lugar? “Terás sempre Ítaca no teu espírito”, verso do poeta grego Kavafis, assume o FRACTAL como a aventura criativa, símbolo da travessia e um destino incerto.
Através da ideia do meio urbano como espaço de intervenção, o FRACTAL começa como iniciativa de reunir, agregar e imaginar uma cidade de diversos palcos. Trazer a imaginação á rua, o inusitado á realidade, o sonho em matéria como as cidades tendam a surgir. Procura espaços quotidianos para torna-los em locais de fruição e criação, de metamorfose itinerante e participação cívica.
Para uma maior cultura visual, o FRACTAL FUNCHAL FEST baseia-se nas suas propostas. Propõe-se a desviar o olhar, diversas vezes, para os cantos da cidade. Propõe-se a receber contributos, de dentro e de fora do meio insular, para percepcionar, abordar, intervir, revelar ou ocultar mais que o pavimento da rua: tudo o que poderíamos nomear de questões ou visões, experiências ou disfunções efémeras que tecem uma comunidade para uma presença na aprendizagem do olhar.
Acolhe, ao longo destes anos, testemunhos e contribuições sobre diversas práticas artísticas que acontecem durante uma semana. Desafia-se e estende-se para encontrar soluções para as linhas de pensamento desses sete dias. Gera dinâmicas internas para ligar-se, estabelecer parcerias ou revelar projetos de índole cultural e artística relevantes para cultura urbana do Funchal que complementa-se além do Festival.
É em parte, e é num todo, que o FRACTAL decorre. Sobre a reflexão multilateral num traço fino, efémera pela sua modo de atuar. Procura relegar num futuro próximo a possibilidade da arte no meio público como continuidade sem ruptura.
José Gustavo Freitas