
Uma grande placa com letras pintadas de amarelo girassol na Praia de Santiago, com a frase “Terás sempre Ítaca no teu espírito”, sinalizava a chegada do FRACTAL ao Funchal, no longínquo ano de 2019. Havia uma profecia auto-cumprida neste verso do poeta grego Kavafis, uma bússola para o que viria a ser o FRACTAL: um local de experimentação, não a busca de um destino final mas a marca de uma longa travessia, da aventura criativa e da senda do intangível.
Desde a sua origem, o FRACTAL assumiu a cidade como palco e matéria viva: moldável, plena de possibilidades, assumindo a mutação, a itinerância, a democracia e o compromisso com a comunidade como bandeiras orgulhosamente hasteadas. Com uma natureza plural, o FRACTAL reinventa-se todos os anos, acolhendo propostas de todos os âmbitos das artes visuais, que se espalham pela verticalidade da cidade do Funchal. Assume não ter forma, nem território fixo: ocupa becos, escadarias, garagens, edifícios devolutos, parques, jardins, complexos balneares e zonas descentralizadas, periféricas e habitacionais. Entende a cidade como um organismo em constante transformação e atua como catalisador dessa metamorfose, ligando arte, território e comunidade.
Mais do que um destino, continua a ser uma travessia, uma bela viagem: uma procura permanente por aquilo que ainda não está definido, pelo possível, pelo intangível. É, na sua essência, um projeto de transformação e uma celebração do que pode vir a ser: um convite permanente à co-criação de uma cidade mais vibrante, participativa e criativa.
Carolina Caldeira