Maio – Setembro 2021

COMO no Mercado foi um projeto gastronómico e sociocultural desenvolvido em 2021 pela Associação FRACTAL, em parceria com a Câmara Municipal do Funchal, que procurou reaproximar a comunidade do Mercado dos Lavradores, valorizando os seus comerciantes, os produtos locais e a identidade do espaço. Sob o mote “Antes de comer é preciso saber como”, o projeto começou por escutar os vendedores, dando-lhes espaço para apresentar os seus produtos, histórias e formas de fazer, e desenvolveu-se depois através de quatro encontros gastronómicos com os chefs Maurício Faria, Luísa Freitas, Filipe Janeiro e Sandra Cardoso. Ao longo de quatro sábados, o público era convidado a adquirir no próprio mercado os produtos selecionados e a levá-los à “Cozinha do Mercado”, instalada temporariamente no terraço do segundo piso, onde eram confecionados pelos chefs. Mais do que uma iniciativa gastronómica, COMO no Mercado procurou devolver centralidade às pessoas que fazem diariamente o mercado, promover os produtos da época e aproximar novos públicos, particularmente as gerações mais jovens, de um dos espaços mais emblemáticos do Funchal.

Setembro 2021 – Março 2023

O projeto VIME, dirigido por Helena Cabral Fernandes, com produção e mediação da FRACTAL, foi desenvolvido com o apoio da DGArtes, através do programa Arte e Território, tendo como ponto de partida a tradição da cestaria em vime na Camacha. O projeto promoveu um processo de aproximação e diálogo com os artesãos locais, valorizando os seus saberes, práticas e memórias e explorando novas formas de relação entre património, criação contemporânea e território. O trabalho desenvolvido culminou numa exposição apresentada no Museu Etnográfico da Madeira e na criação de um objeto pedagógico, concebido como ferramenta de transmissão e mediação deste património junto de diferentes públicos.

Janeiro 2022 – on going

A parceria entre a FRACTAL e a Fundação Cecília Zino tem-se concretizado através da produção e direção artística do Passaporte Cecília Zino e da iniciativa Jovens Talentos FCZ – Artes Visuais, dois projetos centrados na democratização do acesso à cultura e na valorização das novas gerações. O Passaporte Cecília Zino foi criado como uma ferramenta de aproximação dos jovens madeirenses à programação cultural, permitindo o acesso a eventos e espaços culturais e incentivando a sua participação continuada através de um sistema de recompensas. Através da direção artística e produção da FRACTAL, o projeto estabelece uma ponte entre os jovens, as instituições culturais e a criação artística contemporânea, contribuindo para uma relação mais próxima e regular entre públicos jovens e a cultura. Já a iniciativa Jovens Talentos FCZ – Artes Visuais constitui uma plataforma de apoio à criação artística jovem, através de bolsas de criação e oportunidades de exposição no Centro de Desenvolvimento Humano da Fundação Cecília Zino. A iniciativa promove artistas madeirenses ou residentes na Madeira, proporcionando-lhes condições para desenvolver e apresentar trabalho, ao mesmo tempo que cria uma programação cultural de portas abertas e de acesso gratuito no centro do Funchal.  A produção e direção artística da FRACTAL têm contribuído para estruturar e acompanhar este programa, articulando artistas, Fundação e parceiros institucionais e reforçando a dimensão curatorial, artística e de mediação do projeto. Em conjunto, estas iniciativas afirmam a parceria como um espaço de experimentação, formação de públicos e estímulo à criação contemporânea jovem na Madeira.

Setembro 2022 – on going

A parceria entre o FRACTAL e o Forum Madeira, através do Art in Forum, tem vindo a afirmar-se como uma oportunidade de aproximação entre a criação artística contemporânea e novos públicos, levando artistas e projetos do festival para um espaço de grande circulação e visibilidade na cidade. Iniciada em 2022 e consolidada nas edições seguintes, a parceria permite ao Forum Madeira apoiar diretamente a criação artística local e, simultaneamente, ao FRACTAL criar novas possibilidades de apresentação e valorização do trabalho dos artistas. Em 2024, pelo terceiro ano consecutivo, o Forum Madeira associou-se ao festival, selecionando uma proposta da Open Call do FRACTAL para integrar a programação da Galeria Art in Forum. A colaboração evoluiu posteriormente para projetos de maior escala, como o FORUM, local, realizado em 2025 no âmbito dos 20 anos do Forum Madeira, com produção da Fractal e curadoria de Rodrigo Costa. O projeto reuniu 11 artistas numa residência artística no próprio espaço, explorando o Forum enquanto território de criação, encontro e relação com a comunidade. Em 2026, a parceria mantém-se através da Open Call Art in Forum, que selecionou quatro projetos artísticos para a galeria, com acompanhamento da Fractal e curadoria de Tiago M. Rodrigues (Timeq). Esta continuidade evidencia uma relação de parceria que ultrapassa a cedência de espaço expositivo, afirmando o Forum Madeira como um agente ativo no apoio à produção artística e o FRACTAL como mediador entre artistas, território, público e entidades privadas.

Janeiro – Abril 2025

CₓHᵧO_z é uma instalação concebida pelos arquitetos Joana Tomás, Vincent Rault e José Gustavo Freitas, com produção da FRACTAL, a convite da curadoria da Bienal de Artes e Design do Funchal. Partindo do Cais do Carvão como lugar de contacto entre a cidade e o mar, o projeto recupera a memória industrial do Funchal e o papel que este espaço desempenhou na entrada de carvão, matéria essencial ao funcionamento das máquinas e à transformação da cidade. A instalação propõe, assim, uma reflexão sobre a forma como antigos lugares de trabalho, produção e extração foram progressivamente convertidos em espaços de lazer, turismo e contemplação.

Através da transformação física e simbólica do carvão, CₓHᵧO_z questiona a relação entre trabalho e lazer, memória e transformação urbana, passado industrial e presente turístico. A instalação procura reintroduzir essa memória no espaço através de uma intervenção composta por diferentes materiais, geometrias e meios, privilegiando elementos reutilizáveis e uma lógica de montagem e circularidade em vez da construção permanente. O projeto funciona, deste modo, como uma provocação sobre aquilo que a cidade escolhe preservar, apagar ou transformar, convocando o visitante a olhar novamente para um território cuja identidade permanece marcada pelo trabalho que o construiu.

Abril 2025 – on going

Em 2025, a FRACTAL desenvolveu uma residência de intercâmbio financiada pelo mecanismo de mobilidade europeia “Culture Moves Europe”, em Logroño, no âmbito da relação estabelecida com o festival Concéntrico, dirigida artísticamente por Javier Peña Ibáñez. A residência permitiu à equipa da FRACTAL acompanhar de perto os processos de pré-produção e organização do festival, conhecendo metodologias de trabalho, modelos de programação, articulação com artistas e parceiros e estratégias de intervenção no espaço público. Este intercâmbio foi posteriormente prolongado no Funchal, com a presença de Javier Peña Ibáñez num evento de apresentação e divulgação do livro comemorativo dos 10 anos do Concéntrico, promovendo a partilha de experiências entre os dois contextos e reforçando a relação entre a FRACTAL e o festival espanhol.

Maio 2025

Entre as Veias da Cidade, realizado por André Moniz Vieira e com produção da FRACTAL, é um documentário que dá rosto e voz a quem, diariamente, trabalha nos bastidores do funcionamento do Funchal. Ao acompanhar um dia na vida de 14 profissionais dos serviços municipais — entre calceteiros, jardineiros, operacionais, técnicos e trabalhadores da limpeza — o filme revela gestos, rotinas e histórias que habitualmente permanecem invisíveis para quem percorre a cidade. Neste processo, a FRACTAL assumiu também um importante papel de mediação junto dos participantes, estabelecendo pontes entre a equipa artística e os trabalhadores, facilitando a sua participação e criando condições para que as suas experiências, memórias e perspetivas fossem partilhadas de forma próxima e genuína. Mais do que um retrato do trabalho municipal, o documentário propõe um olhar sobre a própria cidade enquanto organismo vivo, onde estas pessoas constituem as suas “veias”, assegurando diariamente a sua manutenção, vitalidade e continuidade.